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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DETONADO:LEFT 4 DEAD

A Valve ficou famosa por seus constantes atrasos, mais ou menos como a Blizzard e a Id Software, com uma política de não se limitar a datas de lançamento enquanto seus jogos não pareçam bons o suficiente – que digam os fãs que esperaram ansiosamente por anos até colocar as mãos em “Half-Life 2″. Mas o ritmo lento parece ter ficado para trás após o lançamento do Steam, serviço de venda de jogos e conteúdo online. Como uma popular plataforma de distribuição, a produtora encontrou uma verdadeira máquina de imprimir dinheiro e, mesmo trabalhando em conjunto com outras fornecedoras, viu a necessidade de agilizar sua produção de jogos próprios para aumentar seu acervo e presença na mídia.
A Valve, então, acionou seu motor gráfico proprietário, o Source, que serviu como base não só para “Half-Life 2″, mas para outros produtos derivados, como as expansões “Episode 1″ e “Episode 2″, o incrivelmente popular “Counter-Strike: Source” e “Day of Defeat: Source”. Da tecnologia também nasceram dois jogos inéditos sensacionais, “Portal” e “Team Fortress 2″, lançados no ano passado, o que provou que mesmo em o ritmo acelerado – ao menos para os padrões da empresa – boas coisas estavam saindo.
Com esta seqüência de sucessos, as expectativas em torno de “Left 4 Dead” foram lá em cima. E, mesmo utilizando o mesmo artifício de aproveitar o Source, que já começa a mostrar a idade, a Valve conseguiu cumprir sua meta e entregar um jogo com multiplayer cooperativo inovador, em um clima de terror bastante envolvente.
Noite dos mortos-vivos
Apesar da proposta de inovar o esquema de cooperação entre os jogadores, “Left 4 Dead” não parece ter outras grandes ambições. Não há uma grande história por trás da ação, apenas um cenário genérico de infestação de zumbis, que bebe em fontes clássicas como os longas do diretor George A. Romero, em produtos mais recentes como o filme “Extermínio” e traz até mesmo referências à série “Resident Evil”. Também não há maiores preocupações com críticas sociais, constantes nas obras que serviram como referência, ou mesmo um roteiro elaborado com uma série de reviravoltas.
Tudo gira em torno da luta pela sobrevivência e da camaradagem. São quatro protagonistas: Bill, um veterano de guerra; Francis, um motoqueiro; a estudante Zoey; e o executivo Louis. No modo single-player, o jogador encarna um deles enquanto o computador controla os outros três durante as missões, que foram divididas entre quatro campanhas que imitam filmes (com direito a pôster e tudo mais): No Mercy, em um cenário urbano nas imediações de um hospital, Dead Air, que se passa em um aeroporto, Death Toll, que segue até um porto, e Blood Harvest, com uma investida em uma fazenda. São cenários criados para esconder criaturas em todos os cantos, mas que poderiam ter mais variedade e, principalmente, maior quantidade, mas é um fator de menor importância diante da tensão e imprevisibilidade da dinâmica.
Com os controles em mãos, “Left 4 Dead” funciona como jogo de tiro em primeira pessoa comum, em que você deve abrir caminho entre as hordas de mortos-vivos na base da bala, utilizando pistolas, espingardas e metralhadoras. Mas é necessário trabalhar em conjunto com seus aliados para escapar inteiro, pois em determinados momentos as ondas de inimigos são simplesmente gigantescas e sufocantes – sem contar os monstros que têm alguns poderes especiais e requerem uma sincronia mais apurada para serem despachados.
O fato de poder avistar seus companheiros através das paredes – as silhuetas dos quatro heróis brilham para indicar sua posição – é um sinal claro da importância de avançar de forma ordenada para obter sucesso. Em certos ataques, com dezenas de zumbis correndo em sua direção e até mesmo escalando muros e saltando de telhados para te devorar, é um alívio ver alguém limpando sua barra justamente naquele momento em suas balas acabam e você tem que perder segundos vitais para recarregar.
Inimigos dinâmicos
O computador até faz um trabalho decente no modo para um jogador, mas é óbvio que “Left 4 Dead” foi feito para ser jogado em times de seres humanos. O próprio comportamento da inteligência artificial, chamada de Director, foi moldado levando em conta o entrosamento (ou sua falta) em times formados por quatro pessoas reais para posicionar os inimigos de formas diferentes durante as partidas. Assim, caso você resolva jogar certo cenário novamente, não saberá de onde os monstros irão sair ou como irão atacar. E este balanceamento também ocorre no decorrer da ação, calibrando a quantidade de oponentes na tela de acordo com a performance do grupo, deixando tudo cada vez mais imprevisível e sufocante.
Além do modo cooperativo contra o computador, que tem suporte a partidas locais ou online, há também um competitivo, na forma do Versus para até oito participantes. Um grupo joga com os tradicionais heróis humanos enquanto o outro encarna os tais monstros especiais, que têm habilidades únicas como lançar carros ou vomitar um líquido tóxico. Os times então se revezam nestes papéis até o fim de cada campanha e ganha quem tiver mais pontos no final.
Com a divisão das campanhas como filmes, fica óbvio que os produtores evocaram um espírito cinematográfico para modelar a ação e, mesmo com muitos anos na praça, o Source não faz feio. Os modelos dos quatro heróis são especialmente memoráveis, com muitos detalhes e uma movimentação impressionante, mas o jogo também conta com ótimos efeitos de luz e explosões. E o melhor, por se tratar de um motor antigo e já bem aperfeiçoado, o jogo roda de forma bastante leve nos PCs e não apresenta problemas técnicos incômodos no Xbox 360.
O som do jogo também é de primeira linha. Além de uma trilha sonora que consegue passar um clima de tensão, há simplesmente centenas de diálogos gravados entre os personagens, deixando-os com um aspecto mais humano e realista. E cuidado ao jogar com o volume mais alto, pois os berros dos zumbis correndo pelas ruas podem assustar os vizinhos, pois são daqueles que garantem alguns sustos que acompanham um palavrão de espanto.

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